domingo, 13 de novembro de 2011

Ausência clássica de sintomas


Aperto no peito. Bola de pêlo na garganta. Mas não há borboletas no estômago nem perna bamba. Sem crise, já se sabe que não tem futuro. Tropeço em certezas. Que aquilo que era pra ser, nunca será do jeito que achei por muito tempo que seria. E que não há mais espaço em mim para dúvidas. Nem achismos. Sua inconstância reflete o que há muito já deveria ter entendido. Aprendo devagar e com muito esmero. Por isso, valorizo. O que me machucou outrora, não acusa aquilo que sou. Saudade já não é motivo para insistência. Afinal, um amor só é pra sempre, quando ele nunca aconteceu de verdade. Amor não dói. O que dói é amor não correspondido. Aquele desigual. Que não toca no mesmo ritmo. Esse que todo mundo faz questão de gritar e enlouquecer. Até parece questão de princípios e coragem. Cobra-se então, atitude. Quando você fala “meu namorado” em voz alta pra alguém mais ouvir e não te dá uma sensação estranha e soa legal, quer dizer que isso é de verdade. E o resto fica pequeno. Só que quando é o inverso os sentimentos diminuem. Inicia-se a fase avessa a emoções. Até perde-se a sensibilidade. Apesar de não deixar de sermos pessoas interessantes. Falta compromisso. Não se percebe outrem, pois não se olha pro lado. E sempre fica a sensação de ter alguma coisa por ser dita, alguma coisa por ser vivida. E que você simplesmente deixou escapar. Isso sim acaba com os seus sentidos. Até com apertos e bolas de pêlo.
Ao som de Seu Jorge - Quem não quer sou eu

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Freio


Se quiser tomar cuidado comigo, tome, mas não se importe com a parte física. Cuide dos meus sentimentos, pois eles regem todo o resto. Quero que se importe assim, porque essa sou eu de verdade. Não tenho condições de que tudo se encaixe e perdure, então se quiser contribuir, faça sua parte. Ou melhor nem se envolver. Porque ando sentindo uma violação violenta dos meus limites. Ninguém é limitado pelo próximo. Porque ele sempre esteve em si mesmo. A necessidade faz com que o potencial sobressaia sempre que preciso. A capacidade de prevalecer progredindo também. O céu sempre foi o limite. Até que você se pega limitado. Sem conseguir ir além, alcançar um pouco mais distante. E pára. Reflete. E resolve desacelerar. 

Ao som de Jorge Aragão - Conselho.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sobre a morte e o morrer


Clichê dizer que é partindo dos erros que tiramos as melhores lições. No entanto, por mais démodé que pareça, todo clichê tem uma percepção única daquilo que acontece. Alguns diriam que se refere a um pouco de verdade. Aprende-se muito com um pouco de qualquer coisa. Basta estar atento. Pois quando passamos pela vida desapercebidos, até aquilo que machuca vem assombrar de novo. Amadurecer é não estar distraído para observar e absorver o que de bom se tem. Eu, por exemplo, não tenho medo da morte. Tenho medo mesmo é da vida mal vivida. Aquela que se leva de forma miserável. Meço riscos, mas às vezes só para conhecer medidas e não para preservação. Acredito que o medo limita. E pessoas destemidas são potencialmente inatingíveis. Aproveitar o pequeno, o básico, o simples. Porque é o que se tem, e isso não necessariamente mede o que realmente é bom.  Ninguém disse que seria fácil. Mas também ninguém disse que valeria tanto a pena. Então, não me entrego nem esmoreço. Muito pelo contrário. Deixo que entre, que me afague, que ajeite um lugar ao meu lado, que me faça carícias, que me envolva, que comande. Logo aconselho: não há como ir contra as certezas da vida. Fui do tipo que negava, maltratava, menosprezava e até desafiava. Tirava pra dançar com a intenção de humilhar mesmo. De mostrar quem é que manda. Sem temor dos reflexos disso. Sempre ousada. Medo nunca tive. Até que ela veio e se impôs, soberana. Depois de um bom tempo, que naturalmente se leva pra assimilar, entendi o recado. Comecei a aceitar a minha condição. E com ela resolvi me familiarizar. Compreendi que não é pra ser bom mesmo, nem justo, nem pequeno. É pra fazer um belo estrago, pra incomodar muito, pra tirar a paz, pra tirar o ar. Tem que ser aceita de forma sincera, mesmo que demorada. Porque a calmaria só vem depois do entendimento. E daí se faz companheira pra todas as horas. Aprende-se a ter ela sempre por perto. Quase como um romance, pois penso nela nas horas mais inusitadas. Nunca haverá amor, nem sequer paixão. Mas tendo respeito e certeza, o resto pouco importa. E “esse é só o começo do final da nossa vida”.

Ao som de Los Hermanos - De onde vem a calma

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A hora é a gente que faz


É porque eu deixo que me roubem um pouco de mim vez em quando, que me acho no direito de roubar um pouco dos outros. Quando ouço idéias ou frases de alguém que não sou eu, me martirizo porque não pensei nisso antes. Às vezes é de uma simplicidade absurda, mas eu não me atentei. E muitos dizem que eu penso demais. Dai logo me cobro, como deixei escapar isso ou aquilo? Ando duvidando de mim, e daquilo que acredito. Minhas certezas perdem o tom. Tento me observar. Nas dificuldades não sei dizer bem quem sou. Às vezes, me entrego, convalesço. Outras, tenho tudo sob controle e me encho de tranquilidade, pois há esperança suficiente. E então fico indo e vindo entre essas duas partes de mim. E quando paro e olho toda essa anarquia, quero rir sem parar. Porque não vejo seriedade nisso. E fico imaginando se é assim com todo mundo. Adio a felicidade pra um futuro mágico, onde serei recompensada pelos sacrifícios de agora. E esqueço de que talvez agora seja A Hora. Ser feliz pode ser qualquer hora. E duvido outra vez das minhas escolhas. Será que eu não sei ser feliz com o que tenho, por isso sonho acordada com o futuro que nem sei se vem? É, não sei bem. Então, convido alguém para vir conferir o tamanho do estrago.

Ao som de Red Hot Chili Peppers - By the way

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Indigne-se


Covardes deveriam ser proibidos de empunhar uma caneta nas mãos, pois não agüentam com seu peso e pendem. Quando na realidade a única verdade que se tens, é aquela ereta, neutra e clara. Por isso, acredito quando digo que não é pra qualquer um. Fiéis escudeiros são cegos quando se trata de limites, e enxergam além quando se clama por justiça. A vida testa a pretensão resistida de nada fazer. Ceder ou não é questão de opinião e audácia. Nobreza inclui abandono de lar, de gostos, de vontades, de elos, de sentimentos. Desapega-se por crer naquilo que se escolheu. Não é apenas status, com pitadas de maus tratos. Vai sempre além. E covardes, por outro lado, sempre aquém. Apenas indigne-se agora, já, a toda hora.

Ao som de Bon Jovi - It's my life

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Questão de educação


Na tentativa de proteger demais, acabei me desprotegendo. E vem o riso, e com ele uma naturalidade completamente forjada de não ter chão nem ar. Há então uma falsa sensação de controle. Passa-se a tomar atitudes que parecem idéias maravilhosas na hora, mas que não passam de precipitação como logo mais se verá. Mas nem isso trava a ânsia de fazer algo, porque a sensação de se deixar vencer é inaceitável. Faço e desfaço e faço outra vez. Mexo em tudo, tiro do lugar e arrumo pra poder desarrumar. Condicionantes não faltam. E causa-se muito em muito pouco tempo. Porque depois que a mudança acontece, não há mais nada a ser feito, além de aceitar. Se alguém mudou, não importa o motivo, é necessário compreensão. E que não haja esperança de ter aquilo que fora, pois isso ao passado pertence e lá vai ficar. Ser preterido não justifica. Então lembro que a minha educação não depende da sua. Ela é minha e por isso é independente. O erro está em sempre ter que vingar. Sair por cima. Não se ensina a perdoar. Não se mostra que é sinal de fraqueza agir erroneamente. E mais fraco é aquele que não entendendo, enfrenta e revida. Por isso existem guerras sem fim. A solução é a paz. Isso ninguém duvida. Mas o que se faz por ela daí já não se descreve. Porque pouco se faz. Desvaloriza o próximo sem saber que mais pra frente a vida cobra. Exige explicação. Por isso, acredite naquilo que escolheu ser, e faça isso sem vergonha ou pudor. Não tenha medo de se mostrar menos que ninguém só porque soube ser nobre ao ponto de perdoar. Lembre sem mágoa. Aceite. A vida se encarrega do bate e volta. Não é preocupação sua. À você só o riso pertence. Esbanje por aí.

Ao som de Ana Carolina e Seu Jorge - É isso aí



domingo, 21 de agosto de 2011

Super Ação


E a palavra é Superação. Porque realmente, só com uma Super Ação que se move montanhas, que se renova, que evolui e que cresce. Que se olha para o passado e ri, e sente saudade, sem deixar que ela te consuma. Pois se tem algo que eu gostaria de ter pra mim e poder passar para os outros é a arte da superação. Lembrar, não medir o que será pelo que já foi, acreditar e esperar. Deslumbrar-se com as infinitas possibilidades do que está por vir. Aceitar fatos e atos como aconteceram. Sem aumentar ou mensurar. Superação exige destreza impar. Porque só se supera algo, quando não há mais necessidade de se falar a respeito.

Ao som de Seu Jorge - Pessoal Particular