quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Divagações de uma mente conturbada


Por Marjorye Smerecki

“Ainda não consigo ter o desapego de desejar e ficar feliz com a felicidade de alguns. Dói, machuca, tem coisas que não cicatrizam e tem pessoas que vão continuar sempre ocupando um espaço. Ajudaria se eu soubesse o que realmente você pensa, aquele pensamento antes de dormir, aquele quando damos uma repassada rápida no dia e nos preparamos para o dia seguinte... Eu já estive no seu dia seguinte e hoje o que eu mais queria era estar no de outro alguém, chega a ser engraçado... Talvez ele nem chegue a me descobrir como você, mas o importante é acreditar que as coisas mudam; e a gente muda! Muda tanto que hoje você não faz parte de mim; porque sim, durante algum tempo eu existi no plural.... É difícil fechar uma porta pra abrir outra, o medo nos faz cometer erros que talvez já definem um final sem o próprio início.... Não quero me tornar uma covarde mas ainda não sei se posso receber outra bofetada no coração....  E eu repito: dói, machuca... mas passa! Já tomaram meu coração; ou melhor, invadiram! Eu que ainda luto com o mais desesperado dos objetivos: não aceitar a minha triste condição dessa confusão das portas. É difícil rotular as coisas, estou apaixonada, estou isso ou aquilo.... Tenho problema com definições, tenho problema em aceitar que não controlo o incontrolável... Durante muito tempo achava que um “Eu te amo”, alianças entre outras coisas demonstravam realmente algum sentimento... Era fase, pobre de mim ainda não tinha sido surpreendida por você.... Surpreendente... É a maneira como eu gosto de definir o meu quase maior primeiro amor... Já o amor que aprendi a ter, aquele que me ensinaram... Eu deixei que o tempo e as imaturidades da idade o transformassem nisso que agora me machuca, talvez o que mais me machuca é não ter mais só pra mim aquele teu jeito bobo de me cuidar... Mas isso eu sei que não vai ser de mais ninguém... Porque eu não sou com o meu outro você o que era contigo... E quando falo meu outro você não pense que você é um outro... um substituto... hammm bom se fosse, você revirou a minha vida, e se estabeleceu sem eu ver como o “você” ou o “ele” que uso quando tô choramingando para as amigas as cagadas que provavelmente você ainda faz comigo e as que eu já cometi contigo... porque eu me decidi... eu quero você, eu quero correr o risco.... é engraçado porque por mais que eu pense ou tente ajeitar as coisas... não vai dar certo.... e as vezes a gente tem que ser realista; não vai dar mesmo! Mas eu decidi que esse ano é seu... que a maioria das coisas boas e ruins que eu vivi de algum modo está ligada a você... mesmo que seja só por uma lembrança... enfim, eu precisava me decidir, e nada melhor que uma insônia... porque rir de tudo é desespero? Não, não pra você, não com você! Mesmo sabendo que tudo não passa de uma jogadinha pra esconder todo esse mistério que é você, e convenhamos você é bem desvendável quando se olha por perto... e você não sabe o quanto é bom poder te conhecer... sinto falta hoje do seu cheiro, da sua perna me abraçando pra dormir, do seu pé que não para de coçar e me tirar o sossego... e isso meu amigo, isso a gente não escolhe. Eu lutei bastante pra que esse não fosse um dos meus pensamentos antes de dormir, mas de novo: isso a gente não escolhe. Minha mente é assim, uma mistura nebulosa entre o passado, presente e futuro... tenho crises, penso demais e sou diferente de tudo que você já viu... por mais que você já tenha visto muita coisa.... e acredite eu sei que você se importa comigo... talvez não do mesmo jeito que eu... aliás, se um dia a gente conseguisse ficar em sintonia com os sentimentos talvez eu tirasse logo essa minha dúvida a teu respeito. Sinto sua falta, droga mais um pensamento desconexo... Viu, é assim.... já me peguei com aquele sorriso besta por sua causa... e também já alterei completamente meu humor por sua culpa... não sou tão inconstante como você pensa... é que por causa dessas imbecilidades de sociedade e joginhos (olha lá... comecei a filosofar já) seguindo.... essas convenções ridículas da vida não se pode dizer o que se sente... eu não posso dizer que estou ... o que imagino se chame perdidamente apaixonada.... e agora me faz sentido o termo perdidamente... ninguém em sã consciência quando apaixonado está seguro... faz parte do pacote estar perdido e agir como idiota... é por isso que eu queria tanto te falar, só falar. Me dá um tempo... eu demoro, mas vale a pena....me descobre que o resto.... ahhhh o resto é só o resto? Não, o resto nem sempre é só a sobra... ás vezes é aquilo que a gente sempre buscou...Tá tá tá  já dá pra parar de viajar né... enfim é mais ou menos por ae.... Por fim, me irrita pensar tanto assim em você, é serio mas mesmo assim eu sigo rindo.”

Ao som de: Adele- Someone Like you

PARABÉNS MEU AMOR PELO SEU DIA! =]

domingo, 13 de novembro de 2011

Ausência clássica de sintomas


Aperto no peito. Bola de pêlo na garganta. Mas não há borboletas no estômago nem perna bamba. Sem crise, já se sabe que não tem futuro. Tropeço em certezas. Que aquilo que era pra ser, nunca será do jeito que achei por muito tempo que seria. E que não há mais espaço em mim para dúvidas. Nem achismos. Sua inconstância reflete o que há muito já deveria ter entendido. Aprendo devagar e com muito esmero. Por isso, valorizo. O que me machucou outrora, não acusa aquilo que sou. Saudade já não é motivo para insistência. Afinal, um amor só é pra sempre, quando ele nunca aconteceu de verdade. Amor não dói. O que dói é amor não correspondido. Aquele desigual. Que não toca no mesmo ritmo. Esse que todo mundo faz questão de gritar e enlouquecer. Até parece questão de princípios e coragem. Cobra-se então, atitude. Quando você fala “meu namorado” em voz alta pra alguém mais ouvir e não te dá uma sensação estranha e soa legal, quer dizer que isso é de verdade. E o resto fica pequeno. Só que quando é o inverso os sentimentos diminuem. Inicia-se a fase avessa a emoções. Até perde-se a sensibilidade. Apesar de não deixar de sermos pessoas interessantes. Falta compromisso. Não se percebe outrem, pois não se olha pro lado. E sempre fica a sensação de ter alguma coisa por ser dita, alguma coisa por ser vivida. E que você simplesmente deixou escapar. Isso sim acaba com os seus sentidos. Até com apertos e bolas de pêlo.
Ao som de Seu Jorge - Quem não quer sou eu

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Freio


Se quiser tomar cuidado comigo, tome, mas não se importe com a parte física. Cuide dos meus sentimentos, pois eles regem todo o resto. Quero que se importe assim, porque essa sou eu de verdade. Não tenho condições de que tudo se encaixe e perdure, então se quiser contribuir, faça sua parte. Ou melhor nem se envolver. Porque ando sentindo uma violação violenta dos meus limites. Ninguém é limitado pelo próximo. Porque ele sempre esteve em si mesmo. A necessidade faz com que o potencial sobressaia sempre que preciso. A capacidade de prevalecer progredindo também. O céu sempre foi o limite. Até que você se pega limitado. Sem conseguir ir além, alcançar um pouco mais distante. E pára. Reflete. E resolve desacelerar. 

Ao som de Jorge Aragão - Conselho.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sobre a morte e o morrer


Clichê dizer que é partindo dos erros que tiramos as melhores lições. No entanto, por mais démodé que pareça, todo clichê tem uma percepção única daquilo que acontece. Alguns diriam que se refere a um pouco de verdade. Aprende-se muito com um pouco de qualquer coisa. Basta estar atento. Pois quando passamos pela vida desapercebidos, até aquilo que machuca vem assombrar de novo. Amadurecer é não estar distraído para observar e absorver o que de bom se tem. Eu, por exemplo, não tenho medo da morte. Tenho medo mesmo é da vida mal vivida. Aquela que se leva de forma miserável. Meço riscos, mas às vezes só para conhecer medidas e não para preservação. Acredito que o medo limita. E pessoas destemidas são potencialmente inatingíveis. Aproveitar o pequeno, o básico, o simples. Porque é o que se tem, e isso não necessariamente mede o que realmente é bom.  Ninguém disse que seria fácil. Mas também ninguém disse que valeria tanto a pena. Então, não me entrego nem esmoreço. Muito pelo contrário. Deixo que entre, que me afague, que ajeite um lugar ao meu lado, que me faça carícias, que me envolva, que comande. Logo aconselho: não há como ir contra as certezas da vida. Fui do tipo que negava, maltratava, menosprezava e até desafiava. Tirava pra dançar com a intenção de humilhar mesmo. De mostrar quem é que manda. Sem temor dos reflexos disso. Sempre ousada. Medo nunca tive. Até que ela veio e se impôs, soberana. Depois de um bom tempo, que naturalmente se leva pra assimilar, entendi o recado. Comecei a aceitar a minha condição. E com ela resolvi me familiarizar. Compreendi que não é pra ser bom mesmo, nem justo, nem pequeno. É pra fazer um belo estrago, pra incomodar muito, pra tirar a paz, pra tirar o ar. Tem que ser aceita de forma sincera, mesmo que demorada. Porque a calmaria só vem depois do entendimento. E daí se faz companheira pra todas as horas. Aprende-se a ter ela sempre por perto. Quase como um romance, pois penso nela nas horas mais inusitadas. Nunca haverá amor, nem sequer paixão. Mas tendo respeito e certeza, o resto pouco importa. E “esse é só o começo do final da nossa vida”.

Ao som de Los Hermanos - De onde vem a calma

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A hora é a gente que faz


É porque eu deixo que me roubem um pouco de mim vez em quando, que me acho no direito de roubar um pouco dos outros. Quando ouço idéias ou frases de alguém que não sou eu, me martirizo porque não pensei nisso antes. Às vezes é de uma simplicidade absurda, mas eu não me atentei. E muitos dizem que eu penso demais. Dai logo me cobro, como deixei escapar isso ou aquilo? Ando duvidando de mim, e daquilo que acredito. Minhas certezas perdem o tom. Tento me observar. Nas dificuldades não sei dizer bem quem sou. Às vezes, me entrego, convalesço. Outras, tenho tudo sob controle e me encho de tranquilidade, pois há esperança suficiente. E então fico indo e vindo entre essas duas partes de mim. E quando paro e olho toda essa anarquia, quero rir sem parar. Porque não vejo seriedade nisso. E fico imaginando se é assim com todo mundo. Adio a felicidade pra um futuro mágico, onde serei recompensada pelos sacrifícios de agora. E esqueço de que talvez agora seja A Hora. Ser feliz pode ser qualquer hora. E duvido outra vez das minhas escolhas. Será que eu não sei ser feliz com o que tenho, por isso sonho acordada com o futuro que nem sei se vem? É, não sei bem. Então, convido alguém para vir conferir o tamanho do estrago.

Ao som de Red Hot Chili Peppers - By the way